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Lei Anticorrupção

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Atualizado em 22/03/2026

O que significa Lei Anticorrupção no Direito?

Lei nº 12.846/2013. Lei brasileira que dispõe sobre a responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos lesivos contra a administração pública, nacional ou estrangeira. Prevê pesadas multas e outras sanções, e estabelece critérios para a avaliação de Programas de Integridade como fator atenuante.

Explicação detalhada

A Lei Anticorrupção, formalmente Lei nº 12.846/2013, estabelece a responsabilização objetiva, administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos lesivos contra a administração pública, seja ela direta ou indireta, nacional ou estrangeira. O modelo de responsabilização adotado pela norma decorre da ideia de responsabilidade objetiva: a pessoa jurídica pode ser responsabilizada independentemente da demonstração de culpa ou dolo por parte de seus demais agentes quando ficar comprovado que houve atuação de seus órgãos, dirigentes, empregados ou terceiros por ela contratados que tenha resultado em dano ao interesse público. A lei não exclui a possibilidade de responsabilização de pessoas físicas subsidiariamente ou na esfera criminal, conforme o caso, mas centraliza o foco na responsabilização da pessoa jurídica como ente coletivo, com ênfase na prevenção e na cessação de práticas fraudulentas que afetem a coisa pública e, por extensão, a confiabilidade do ambiente de negócios. Em termos de finalidade, a norma busca incentivar a adoção de programas de integridade, controles internos eficazes e condutas éticas que minimizem riscos de corrupção, fraudes e ilegalidades na relação com a administração pública.

O arcabouço da Lei Anticorrupção prevê sanções administrativas, cíveis e, em determinadas circunstâncias, complementares, indo além de multas expressivas. Entre as sanções destacam-se multas proporcionais à gravidade da prática, à vantagem auferida e à capacidade econômica da empresa; publicação extraordinária de condenação, com o objetivo de promover transparência pública e desestimular futuras irregularidades; e várias restrições, como a proibição de contratar com o poder público, suspensão de atividades e, em casos extremos, dissolução compulsória da pessoa jurídica. Importa mencionar que a lei também trata de acordos de leniência com a atuação de órgãos de controle, o que possibilita condições de redução de penalidades para organizações que coopera-ram com as investigações e adotaram medidas efetivas de compliance. A finalidade educativa da norma está na criação de um ambiente de negócios mais confiável, ao passo que incentiva a autorregulação e a responsabilização corporativa pela integridade institucional.

A legislação busca ainda diferenciar instrumentos de responsabilização e estabelecer diretrizes para a aplicação de sanções de forma proporcional, gradativa e justificável. O enquadramento legal não se limita à imposição de sanções punitivas; ele estimula a implantação de Programas de Integridade robustos, com políticas de governança, treinamento, due diligence de terceiros e mecanismos de denúncia. Além disso, a Lei Anticorrupção se entrelaça com outras normas de combate à corrupção e improbidade administrativa, servindo como base para acordos de leniência, termos de ajustamento de conduta e colaborações com o Ministério Público, a Controladoria-Geral da União e demais órgãos fiscalizadores. Em síntese, o diploma legal busca mitigar riscos sistêmicos de corrupção, promovendo responsabilização efetiva da pessoa jurídica e incentivando práticas empresariais éticas e transparentes.

Exemplos práticos

["Uma empresa contratada pela esfera pública cometeu irregularidades durante o processo licitatório ao manipular documentos e subornar pareceres para favorecer determinada proposta. Após identificação pela CGU, a empresa é responsabilizada administrativamente pela prática de atos lesivos à Administração, sujeitando-a a multa expressiva, publicação do ato sancionatório e proibição de participar de licitações por um período de 2 a 5 anos, dependendo da gravidade.","Uma multinacional com sede brasileira firmou acordos de leniência após investigações que evidenciaram suborno em contratos com entidades públicas estrangeiras. Em contrapartida, a empresa implementa um Programa de Integridade robusto e coopera com as autoridades, o que resulta em redução de penalidades e na possibilidade de continuidade de operações sujeitas a monitoramento regulatório.","Durante uma auditoria interna, uma empresa detecta falhas graves de governança e inconformidades com normas de compliance. A partir dessas constatações, a companhia ajusta políticas, investe em treinamentos, realiza due diligence de terceiros e firma ajustes com as autoridades, buscando mitigar danos e evitar sanções previstas na Lei Anticorrupção."]

Base legal / Referências legais

["Lei n° 12.846/2013 (Lei Anticorrupção Empresarial).","Decreto n° 8.420/2015 (regulamenta a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas, acordos de leniência, programas de integridade e procedimentos de fiscalização)."]

Conceitos relacionados

["Improbidade administrativa: dispositivo que pune agentes públicos e terceiros colaboradores quando há violação de princípios da Administração e danos ao patrimônio público, com regime de responsabilização diverso do previsto na Lei Anticorrupção.","Compliance e programas de integridade: conjunto de políticas, controles e práticas que visam prevenir, detectar e remediar irregularidades, servindo como atenuante relevante em processos sancionatórios.","Leniencia e acordos de leniência: mecanismos de cooperação com as autoridades para a apresentação de provas e esclarecimentos, com redução de sanções em troca de colaboração útil à investigação."]

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Perguntas sobre Lei Anticorrupção

Quem pode ser responsabilizado pela Lei Anticorrupção?

A pessoa jurídica, bem como a partir de situações em que haja cooperação de seus dirigentes, empregados ou terceiros vinculados à empresa que tenham praticado atos lesivos contra a Administração Pública. Em alguns casos, a responsabilização pode se estender a pessoas físicas envolvidas, na seara criminal ou civil, conforme o contexto.

Quais são as principais sanções previstas pela Lei Anticorrupção?

As sanções incluem multa, publicação extraordinária do ato condenatório, suspensão ou proibição de contratar com a Administração Pública, e, em alguns casos, dissolução compulsória da pessoa jurídica. Além disso, a lei prevê incentivos a programas de integridade e possíveis acordos de leniência com condições específicas.

Como os programas de integridade influenciam o resultado de um processo?

Programas de integridade bem implementados podem reduzir o montante de sanções ou influenciar a avaliação de atenuantes, desde que demonstrem governança eficaz, controles internos, treinamentos e mecanismos de denúncia que impedem, detectam e corrigem irregularidades.

Existe regulamentação específica além da Lei 12.846/2013?

Sim, o Decreto 8.420/2015 regula aspectos operacionais, incluindo acordos de leniência, procedimentos administrativos, governança corporativa e diretrizes para a aplicação de sanções, complementando a lei principal.

Exemplos de Julgados

Julgados que mencionam o termo "Lei Anticorrupção" em seus textos, títulos ou resumos

Origem: STJ
Informativo: 841
17/02/2025

Cumulação da LIA e da Lei Anticorrupção em ação civil sem bis in idem

Direito Administrativo > Geral

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