Voltar ao Glossário

Contrato estimatório

0 visualizações
Atualizado em 22/03/2026

O que significa Contrato estimatório no Direito?

Contrato no qual o proprietário entrega coisa a outrem para venda ou devolução, a preço previamente ajustado.

Explicação detalhada

Contrato estimatório, conhecido no direito brasileiro como consignação mercantil, é o negócio jurídico pelo qual o titular de uma coisa (o consignante) entrega-a a outra pessoa (o consignatário) para a venda ou para devolução, mediante preço previamente ajustado entre as partes. Nessa figura, o proprietário permanece como titular da coisa até que ocorra a venda ou a devolução, e o consignatário atua como intermediário de venda, assumindo o risco de armazenagem e de organização da comercialização. A essência do contrato estimatório é a destinação temporal da coisa ao consignatário com a obrigação de prestar contas ao consignante sobre a operação realizada. O pagamento pelo consignante ao consignatário, quando houver, ocorre somente após a concretização da venda ou conforme o ajuste previamente estabelecido entre as partes. \n\nHistoricamente, o contrato estimatório se aproxima da ideia de empreitada mercantil, porém com características próprias: o foco está na venda da mercadoria fornecida, sem transferência de propriedade até que o ato de venda efetive o negócio. O consignatário pode ter a obrigação de conservar a coisa em bom estado, de zelar pela sua integridade e de comunicar ao consignante, periodicamente, o estado das operações de venda, enquanto o consignante pode impor limites temporais ou quantidades máximas a serem consignadas. Em termos de tutela jurídica, o consignante pode reivindicar a devolução de mercadoria não vendida, sujeita aos termos contratuais, e o consignatário pode exigir remuneração pela atividade de intermediação ou comissão definida no ajuste.\n\nDo ponto de vista econômico, o contrato estimatório facilita a circulação de bens ao permitir que o titular do bem utilize as redes de distribuição e venda de terceiros, reduzindo gargalos logísticos e ampliando alcance de mercado. Do ponto de vista de risco, a consignação transfere ao consignatário custos operacionais como transporte, guarda e exibição, mas não transfere a propriedade da mercadoria até a efetivação da venda, mantendo o consignante como proprietário civil até o pagamento do preço de venda ou devolução do bem. Em termos de conclusão, a validade do contrato depende de clareza sobre preço, prazo, responsabilidades pelas perdas, condições de devolução e mecanismos de prestação de contas, evitando ambiguidades que possam gerar litígios sobre propriedade, revenda, garantias e responsabilidade civil.

Exemplos práticos

["Exemplo 1: uma galeria de arte recebe obras de um artista para exposição e venda. O artista permanece proprietário das obras até que uma obra seja vendida, momento em que o preço é repassado ao artista conforme ajuste, descontando a comissão da galeria; obras não vendidas são devolvidas ao artista após o término da exposição.","Exemplo 2: uma loja de roupas recebe peças de um fabricante para consignação. A loja expõe as peças, vende parte delas e presta contas ao fabricante mensalmente. O fabricante mantém a titularidade das peças até a venda ou devolução, e a loja recebe uma comissão acordada pelas peças vendidas."]

Base legal / Referências legais

["Código Civil brasileiro (Lei nº 10.406/2002), em especial dispositivos que tratam de consignação mercantil e contratos correlatos de venda a título estimatório (consignação).","Precedentes doutrinários que discutem a natureza jurídica da consignação, seus efeitos jurídicos sobre propriedade, posse e obrigação de prestação de contas."]

Conceitos relacionados

["Consignação simples: figura de entrega para guarda sem objetivo de venda com prazo e condições diferentes.","Comissão mercantil: remuneração pela intermediação na venda de terceiros, com relação distinta de posse ou propriedade.","Depósito com finalidade de venda: contra posição entre guarda de bem e transferência de responsabilidade, com regras próprias de devolução ou venda."]

Amplie seu vocabulário jurídico

Novos termos e definições no seu e-mail

Sem spam. Cancele quando quiser.

Perguntas sobre Contrato estimatório

O proprietário permanece com a propriedade das mercadorias durante o contrato estimatório?

Sim. Em contrato estimatório (consignação), o consignante mantém a propriedade da mercadoria até que ocorra a venda ou a devolução conforme o ajuste. O consignatário apenas guarda e comercializa sob condições previamente estabelecidas.

Quem assume os riscos de perda ou deterioração das mercadorias consignadas?

Em regra, o risco de guarda recai sobre o consignatário, que deve zelar pela conservação das mercadorias e respondê-las pelo eventual extravio ou dano, conforme o que for contratado; perdas podem depender de cláusulas específicas de responsabilidade.

Como é feito o pagamento ao consignatário pela venda das mercadorias?

O pagamento ao consignatário pela venda ocorre mediante o repasse do preço ao consignante, descontando a comissão acordada pela intermediação. Caso não haja venda, as condições de devolução devem ser observadas pelo contrato.

É possível exigir a devolução de mercadorias não vendidas mesmo após prazo previamente acordado?

Sim, desde que haja previsão contratual ou acordo entre as partes para a devolução das mercadorias não vendidas, observando as regras de prazo, condições de conservação e eventuais custos envolvidos.

Exemplos de Julgados

Julgados que mencionam o termo "Contrato estimatório" em seus textos, títulos ou resumos

Origem: STJ
Informativo: 807
01/04/2024

Sujeição dos créditos de consignantes em contrato estimatório aos efeitos da recuperação judicial

Direito Empresarial > Geral

Entenda mais termos jurídicos

Explore nosso glossário completo e aprenda os conceitos fundamentais do direito